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terça-feira, 3 de maio de 2011

Como Começou meu Mundo Cão. =)


Menina: o começo de tudo
A 1ª cadela no sítio, ainda o antigo, chamava-se Menina.

Na época que a casa estava sendo construída apareceu uma vira-latinha magrinha, parecida com a Brisa, e os pedreiros davam comida pra ela. Meus pais subiam todo fim de semana para acompanhar a construção e minha mãe ao vê-la falava: "Menina, você 'tá aqui? Vem cá, menina!". Acabou que a doguinha atendia, os pedreiros começaram a chamá-la assim também e ficou: Menina.

Menina se tornou nossa. O sítio foi cercado e a prendemos ela lá para não se machucar na rua. Mas a danada sempre encontrava uma forma de escapar; até cavar por baixo da cerca ela cavava. Entre outros caminhos. Era impossível trancá-la.

Um dia apareceu grávida.

Menina e Pretinha, mãe e filha tomam banho de sol.

Momento mea culpa familiar. Na época, coloquem aí uns... 23 anos, meus pais e muito menos eu, com meus 14, 15 anos, não ligávamos para essa coisa de castração etc. Éramos retrógados, daquela linha burra de que não se devia castrar e por aí vai. Sim, quanta estupidez...

Enfim, foram cinco filhotes, um não resistiu. Dos quatro, nossa faxineira na época quis um, o mais parecido com o Pongo. Ficamos com os outros três. Meu avô até tentou ficar com a Pretinha na casa dele, mas não aguentou a teimosia e o pique de filhote, e ela voltou para o sítio.

Pongo no auge da sua juventude.
Bem, o nome do Pongo foi por conta dos "101 Dálmatas". Eu amava essa história e queria um cão com esse nome.
 
O outro machinho eu chamei de Flamel. Na época, a Globo passava novelas muito boas às 20h (sim, 20h, e não 21h como é hoje) e a do momento era "Fera Ferida". Edson Celullari fazia o "bruxo" Raimundo Flamel e eu era apaixonada por ele! Foi a novela que Murilo Benício estreou na TV e se destacou como o gari gago da cidade. O papel dele até aumentou na trama.

Flamel novinho.

 Pretinha não foi idéia minha. Assim que pôde ela foi doada ao meu avô e ele quem deu o nome. Voltando pro sítio eu queria trocar, mas minha mãe me perturbou dizendo que meu avô ficaria chateado etc.

O Flamel, enquanto filhote, teve um problema aí que precisou de internação. Ao ser liberado, passou uns dias na nossa casa no Rio. Dormia no meu pescoço.

O Pongo era mais "desapegado". Gostava de sair do sítio em busca de alguma cadela no cio. O Flamel também, mas voltava logo. O Pongo às vezes ficava três, quatro dias fora, isso quando não voltava estrupiado de alguma briga.


Pretinha, ainda "garota".
A Pretinha teve que ficar na parte de cima do sítio, na casa do caseiro. Ela brigava muito com a Menina, mesmo depois de termos castrado as duas.

Aos poucos foram morrendo... Flamel e Pretinha se foram dormindo, com mais de dez anos.

A dor da perda da Menina foi a pior de todas. Um dia chego no sítio e ela está com as duas patas da frente NO OSSO. Ela as roeu, comeu a pele, a carne!! E ela ainda andava!! Pra piorar, ela até comia a ração dela, mas vomitava logo depois.

Já tínhamos o Leão, havíamos acabado de subir a Jolie. O vet pediu para deixá-los isolados. Na hora de irmos dormir, colocamos a Menina na garagem. Eu não sabia se rezava para o bom Moço lá de cima levá-la logo ou não.

No dia seguinte, abrimos a porta da garagem... Lá estava ela, saindo toda feliz, com aquelas patas... Eu chorava, não sei se de alegria ou tristeza. Mas sabíamos que ela sofria e, lógico, estava com dor. Ela não parava de roer as próprias patas!!

Rafa e meu caseiro foram com ela pro vet. Eu falei: "Rafa, se ele tiver que sacrificá-la, nem sobe. Vá direto pra árvore aonde os filhos dela (Pretinha e Flamel) estão enterrados e a enterre lá". Eu e minha mãe a enchemos de beijos e a entregamos pro Rafael. O duro foi ver no rostinho dela o "não 'tô entendendo nada..."
O vet explicou o motivo de ela não reter mais comida alguma (não lembro agora), que estava se auto-mutilando -- algum tipo/nível de demência, sei lá. Estava minguando, morrendo aos poucos.

Bem... Eu e minha mãe estávamos na janela ansiosas aguardando o carro chegar na esperança de pegá-la nos braços de novo... Mas foi direto para a árvore. Ainda hoje, enquanto escrevo isso, eu choro.

Eu havia prometido a mim mesma que mais nenhum cão meu seria sacrificado.
 
Pongo, acho que um ano antes de falecer.
Mas a vida prega peças. E quando o Pongo ficou doente -- vomitava lufadas grandes de sangue -- o procedimento precisou ser o mesmo. Tentamos de tudo, até trouxe ele pro Rio. O que me arrependo, porque o bichinho nunca tinha andado de carro e 'tava apavorado. Rafa me deixou em casa e levou o Pongo direto pra clínica. No final da tarde, ele me ligou, pediu para eu sair do curso e dar um último adeus ao Pongo. Não tinha ninguém para me substituir e teria que cancelar as próximas aulas. Minha chefe não ia entender. Dei aula chorando. Sério, CHORANDO.

Rafa foi a última pessoa que Pongo viu. Ele também chorou horrores, assim como meus pais, que estavam lá na clínica. Rafa e meu pai pegaram uma carta com o veterinário e levaram o corpinho do Pongo de volta pro sítio, para ser enterrado com a mãe e os irmãos.

Sempre choro MUITO ao lembrar disso. 'Tô chorando muito agora, mas esse post é o mínimo que posso fazer para homenageá-los. E mostrar pras pessoas que elas podem, sim, ter outros cães após perderem os que já muito amaram. Há muito cão por aí precisando de um lar, de um dono com esse amor todo. Basta querer.

De lá pra cá: Pongo, Menina e Flamel. Pretinha já estava na parte de cima do terreno.