Estávamos eu e Rafa indo pro sítio, já na estrada de terra que leva pra lá, quando vimos três doguinhas pretinhas em volta de uma caixa no canto da estrada, em uma esquina. Meu coração ficou pequenininho e falei pro Rafa, "Encosta!".
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| Pimpolhas da Colina: Cacau ao fundo. |
Dentro da caixa uma ração mais dura que pedra. As pequeninas andavam pra lá e pra cá com o risco de serem atropeladas, mesmo sendo a estrada de pouco movimento.
Depois de muita conversa e troca de idéias, jogamos as três no banco de trás com Cocota e Brisa. Ambas, lógico, fizeram aquela cara de "de onde saiu tanto cachorro?".
Nomeei as três: Salsa, Brasa e Cacau. Eram nomes que eu guardava para próximas cachorras que eu viesse a ter -- Salsa, inclusive, seria o da Sauza O.o -- mas foram nelas.
Vermifugamos, compramos ração pra elas, deixamos correndo no sítio. Descemos pro Rio e ficaram comigo. Meu pai 'tava desesperado e me enchendo o saco, embora não more aqui. E agitou uma parada errada. O zelador do prédio arranjou uma pessoa na Penha. Quando o garoto veio com a tia escolher entre as três, escolheu justo a que eu havia me apegado mais, a menorzinha, Cacau. Levou e eu chorei horrores o dia inteiro.
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| Cacau volta pro sítio pra ficar. |
Quando fomos visitá-la, a cachorra até 'tava bem. Mas aí a tia do garoto conta que a Cacau ia com todo mundo, brincava com todos, mas não gostava e nem chegava perto do primo do garoto que era dono dela. Logo ligou o meu alerta: o garoto devia espremer a cachorra e até bater nela. "Pow, Vanessa, bater é exagero!", você pode pensar. Só que, depois, na mesma semana encontro essa tia aqui perto e ela me conta a seguinte história: "Pois é, menina, o fulaninho é uma criança boa, mas meio desajeitada, sabe? Ele já matou um hamster e um passarinho do ciclaninho (dono da Cacau), porque bateu com força demais neles, mas foi sem querer, ele não faz por mal." E aí???? Desajeitado my ass, o garoto devia ser uma peste, mesmo! Com inveja do primo saía matando os bichinhos dele!!
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| "Tem comida aí?" |
Contei pro meu pai e ele ficou apavorado. Justo ele, que queria que eu doasse logo as dogas. E aí ele deu a idéia: corri pra internet, catei uma foto de um dog grandão -- parecia mix de Labrador com Pit Bull, imprimi e disse pra mulher lá que era o pai da Cacau, que meu caseiro havia descoberto quem as havia abandonado e tirou fotos. Como ela não queria um cachorro grande, no dia seguinte devolveu. Ainda porque também, parece que a Cacau 'tava "ficando agressiva"... Convido quem quiser para ir no sítio e, devidamente apresentado, conheça a "agressividade" da Cacau.
Quando cheguei lá, quase infartei. A mulher disse que a cachorra estava por ali. E a achou no meio dos entulhos de obra: "Ah, 'tá aqui! Estava comendo os ossos de galinha que os pedreiros jogam ali!". Eu queria estrebuchar de raiva, mas o Rafa me segurou: "Calma, Vanessa, a cachorra 'tá quase na sua mão!".
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| Cacau, linda, meiga e carinhosa! |
Bem, o fim da história, portanto, já sabem, né? =D
Quanto as outras duas... Nesse meio tempo que Cacau estava na Penha, pedi ajuda pra Ana, do Clube das Mordidas, e ela me atendeu prontamente. Estava, eu acho, a uma semana de uma campanha de doação. Chorando, levei Salsa e Brasa de manhã, no dia da campanha, pra casa da Ana. Fui dar aula e quando liguei a caminho do Recreio ela me disse que a Brasa já havia sido doada. Fiquei feliz e triste ao mesmo tempo. Lá, passei o tempo todo brincando com a Salsa. Apareceu uma família que já havia ido mais cedo pra lá. Ana me pediu para entrevistá-los, já que era "minha" doguinha. Era um pessoal muito bom, com uma casa grande no Recreio mesmo. Vi a Salsa de novo quando foram castrá-la aos sete meses -- eu ia bancar os custos, visto que o Clube tem um um bom desconto em uma clínica aqui perto. Estava linda.
A Brasa não revi. A mulher cismou que não queria castrar com pena da cachorra no pós-cirúrgico. Perdi contato, mas espero que não tenha feito nenhuma estupidez e a vet que ela frequentava a tenha devidamente orientado.
E ambas mantiveram os nomes que eu dei. =)
Apelidos: Cacauzinha, Cau, Gorda, Preta.